sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O Vendedor de Sonhos (pgs 90 e 91) - Augusto Cury



Comecei a pensar no poder indecifrável das suas palavras e
gestos do homem Jesus para convencer jovens judeus, na flor da
idade, malucos por aventuras, com famílias nucleares organizadas
e negócios estabelecidos, a abandonar tudo para segui-lo. Que
loucura! Seguiram no escuro um homem sem poder político
notório e sem identidade visível. Deixaram barcos, amigos, casas e
o seguiram sem direção. Ele não lhes deu dinheiro, não lhes deu
conforto, não lhes prometeu nem mesmo um reino terreno. Que
experiência arriscada! Que conflitos! Que vexames! Que
perturbações viveram!
Perderam tudo, por fim perderam o homem que os ensinou a
amar crucificado numa trave de madeira. Morreu sem heroísmo,
morreu em silêncio, encerrou seu fôlego amando, faleceu
perdoando. Após sua morte, o grupo poderia ter se dissipado, mas
uma força incompreensível os invadiu. Tornaram-se mais fortes
depois do caos. Difundiram para o mundo a mensagem que
tinham ouvido.
Deram as lágrimas, a saúde, seu tempo, enfim, tudo o que
tinham para a humanidade. Amaram desconhecidos e se
entregaram por eles. Sob a mensagem difundida por esses jovens
toscos e sem cultura clássica, as sociedades européias e depois
inúmeras outras nas Américas, na África e na Ásia foram
construídas. As bases dos direitos humanos e dos valores sociais
foram estabelecidas.
Séculos se passaram, e tudo se tornou comum. As igrejas se
tornaram uma fonte excelente de conformismo. Na atualidade,
centenas de milhões de pessoas comemoram confortavelmente em
seus templos o Natal, a Paixão e outras datas, sem nunca terem
imaginado o que é dormir ao relento, o que é receber a pecha de
louco, qual o sabor de ter sua imagem social estilhaçada. Perderam
a sensibilidade, não entenderam o estresse dramático que esses
jovens viveram ao seguirem o enigmático Mestre dos Mestres.
Vieram-me à mente as desconfortáveis camas de palha nas
quais dormiam ao relento. Fiquei refletindo na angústia que
sofreram ao tentar explicar o inexplicável para seus pais e amigos
da Galiléia. Não poderiam falar que tinham aprendido a amar um
homem, pois seriam apedrejados. Não poderiam dizer que estavam
envolvidos num grande projeto, porque esse projeto não era
palpável. Não podiam comentar que seguiam um homem poderoso,
o Messias, pois ele amava o anonimato. Que coragem para chamar
e que coragem para seguir o chamado!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Em nome da Justiça




Composição - João Alexandre
Enquanto a violência acabar com o povão da baixada
E quem sabe tudo disser que não sabe de nada
Enquanto os salários morrerem de velho nas filas
E os homens banirem as leis ao invés de cumpri-las
Enquanto a doença tomar o lugar da saúde
E quem prometeu ser do povo mudar de atitude
Enquanto os bilhetes correrem debaixo da mesa
E a honra dos nobres ceder seu lugar à esperteza.
Não tem jeito não. Não tem jeito não.

Enquanto o domingo ainda for nosso dia sagrado
E em Nome de Deus se deixar os feridos de lado
Enquanto o pecado ainda for tão somente um pecado
Vivido, sentido, embutido, espremido e pensado
Enquanto se canta e se dança de olhos fechados
Tem gente morrendo de fome por todos os lados
O Deus que se canta nem sempre é o Deus que se vive,
Pois Deus se revela, se envolve, resolve e revive

Só com muito amor a gente muda esse país
Só o amor de Deus pra nossa gente ser feliz
Nós os filhos Seus temos que unir as nossas mãos
Em nome da justiça, por obras de justiça
Quem conhece a Deus não pode ouvir e se calar
Tem que ser profeta e sua bandeira levantar
Transformar o mundo é uma questão de compromisso
É muito mais, É muito mais, É muito mais e tudo isso.

sábado, 4 de setembro de 2010



O SEGREDO da longevidade do musicista. 
Um médico saiu a caminhar e viu essa velhinha da foto sentada no banco de uma praça fumando um cigarrinho com seu estojo de viola ao lado.
Aproximou-se e perguntou: - Nota-se que está bem, qual é seu segredo? 
Ela então respondeu: - Eu trabalho com musica, durmo à 1 da manhã depois de tocar em musicais, me levanto às 5 para pegar 2 horas de trânsito para estar as 9 no ensaio da orquestra. Nos fins de semana não pratico esportes, não me divirto. Trabalho fazendo concertos, recitais, casamentos, batizados, gravações, shows, estudando as partituras dos próximos ensaios, tocando nas recitas de operas, procurando substitutos para os dias de confronto de agenda, dando aulas particulares, domingos e feriados também. Não tomo café da manhã, e almoço correndo no Mc Donalds e janto somente quando me dão lanche no intervalo porque não dá tempo. 
O doutor então exclamou: - Mas isso é extraordinário. 
A senhora tem quantos anos? 
- 34 anos, respondeu a velhinha...

sábado, 28 de agosto de 2010

O Valioso Tempo dos Maduros

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Problemas e Perspectivas: Protestantismo Pau-Brasil


As diversas faces do Protestantismo Pau-Brasil



Luiz Sayão

É preciso pensar o protestantismo pau-brasil! Protestantismo do país pentacampeão, pentasecular, pós-pentecostal, perigosamente problemático, praticamente pós-moderno! Para pensar, em prolegômenos, o protestantismo principiante do principal país português, precisamos proferir palavras propriamente planejadas, previamente preparadas, pesquisando os períodos do protestantismo pau-brasil: partindo-se do pioneiro e principiante, e prosseguindo até o presente e pós-moderno. Possivelmente poderemos prosseguir pincelando o painel polimorfo protestante! Podemos prosseguir?


Perfeitamente! O primeiro protestantismo é o principiante, o primogênito. Primaveril! Parece-me plácido, progressista, platônico e promissor. Produziu profusamente pastores, presbíteros, pregadores e professores. Padeceu perigosamente pelo poder dos padres, pois era protestantismo de persuasão! Porém, prosseguiu, proclamando a Palavra. Para os pesquisadores, pendia para a perspectiva pró-saxônica. Por isso, pasmem! Perdeu a possibilidade de preconizar uma perspectiva protestante pau-brasil. Praticou a perigosa polarização, protelando um protestantismo palpavelmente pentacampeão, um protestantismo perfeitamente pau-brasil. Podemos permanecer perplexos!


Pouco passou para o protestantismo preguiçoso projetar-se. Perfeito protetor do passado, o protestantismo preguiçoso priorizou a preservação do pretérito! Progressista e paleozóico, pôs em prisão a profecia! Pôs-se a prosseguir paulatinamente pelo pavimento pachorrento da postergação. “Podemos praticar posteriormente”, pensavam. Para que pressa? Pianissimamente, premiou os prelúdios e os poslúdios. Preconizou as prerrogativas de uma prepotência possivelmente putrefata! Pouco pôde prevalecer, pois permitiu a pluralização parcimoniosa do protestantismo principiante! Era pouco popular, porém pertencia ao “pequeno povo”. Ponderado, premeditado, predeterminado, parou! Praticamente parou! Parou por quê? Petrificou! Petrificou para propalar o paternalismo, preservando o personalismo profundamente presente no povo pau-brasil. Pareceu-me parcialmente paranóico, permeado pelo pavor: pavor de prosseguir, pavor de permutar, pavor de prejudicar o passado! Puxa!


O protestantismo posterior é o protestantismo pró-pentecostes! Pôs os preteristas em polvorosa! Passou a possuir o perfil de protestantismo propagador! Pareceu prejudicar os plácidos e praticar a preteritoclastia! Passou a pender para uma perspectiva possivelmente pau-brasil. Porém, perseguiu o prazer e profetizou a proibição! Prosseguiu proclamando um protestantismo de Parusia. Passou a pregar pomposamente! Porém, passou a possuir a preferência dos pobres. Pôde pregar e profetizar propriamente para os pobres, os paupérrimos, os piores pervertidos e os pretos preteridos pelos poderosos perversos. Precipitadamente, preferiu o profeta e preteriu perigosamente o professor! Possivelmente por isso, passou a pulverizar. Pulverizou em partículas pequeninas, precipitando-se num perfil pavorosamente perturbador! Pôs-se a projetar pontífices próprios. Passou a prognosticar, promover prodígios, perseguir principados e potestades. Proporcionou e potencializou plenamente o perfil polimorfo do protestantismo presente.


Paralelamente, projetou-se o protestantismo possivelmente pró-proletariado. Propulsionado por perspectivas políticas, pendeu para um posicionamento predominante em parte do planeta que preconizava a polarização “proletariado-poderosos”. Posicionamente que pulula! Pareceu-me prioritariamente político. Passou a preterir o púlpito, e permutou-o pelo palanque. O pastor-pregador preferiu passar-se por político-prometedor. Perderam-se os papéis! Passaram a praticar a parcialidade, pichando os pecados perversos dos povos poderosos, pisoteando os principais da pirâmide do poder. Porém, politicamente predeterminados, passaram a prender a Palavra para poupar os perversos que possivelmente protegiam o proletariado e praticavam os próprios pecados dos poderosos. Pode? Perdidos, passaram a piscar passionalmente para o pensamento pós-cristão, para os profetas das psicologias prevenidas para com a Palavra e para uma pulverização pós-moderna e perdida do próprio pensamento. Perderam a perspectiva! Preteriram o porto da partida. Procuram o porto promissor, possivelmente perdidos em perspectivas e prazeres passageiros. Papelão! Que Papelão!


Prometendo progredir, pretendo pensar no perfil do protestantismo posterior, o protestantismo pós-pentecostal. Plenamente pós-moderno, é prenhe de problemas perigosíssimos. É perfeitamente paliativo. Passou a proporcionar aos pobres a perspectiva dos poderosos: a prata pode preencher e é prioridade. É o protestantismo do poder, da prosperidade e da psicose. O pastor-profeta passou a possuir o perfil papagueador-promotor. Passa-se por psicólogo, e péssimo psicólogo! Pulverizados na perscrutação da Palavra, porém perversamente projetados pela pragmática da prata, preferem preterir e pisar as palavras dos principais pensadores do próprio protestantismo. Os pós-pentecostais prescrevem práticas parvas e pueris! Proclamam perspectivas perdidas, pisoteando a precisão do pensar! Preconizam pensamentos paliativos! Parecem predeterminados a promover o perecimento pleno dos próprios pobres. Para os pesquisadores, é pretenso protestantismo! Prostituiu-se! Perdeu-se em promiscuidade! Pobre protestantismo! Pobre protestantismo! É preciso praticar o pranto!


Paremos com o pessimismo, pois o protestantismo é promissor, pujante e prevalecente. Precisamos pensar e praticar passionalmente o protestantismo parelhado com a Palavra. Para podermos prevalecer, precisamos ponderar e prosseguir. A primeira ponderação é a prioridade da Palavra. Pressuposto primordial! Precisamos pesquisar, perquirir e perscrutar a Palavra. Propulsionados pelo perscrutar persistente da Palavra do Pai poderemos perfeitamente prosseguir. Os preceitos da Palavra perfazem o próximo passo. Precisamos praticar os preceitos do Príncipe da Paz. Palavra e Prática prosseguem em par! Por fim, penso que precisamos priorizar a prece. Perscrutar e praticar a palavra prepara o profeta, o pregador, o pastor a proferir palavras para o Pai Perene. Praticar a prece profetiza o prevalecer perpétuo pelo poder do Pai.


Palavra, Preceito e Prece. Perfil perpétuo para o povo do Pai Perene e do Príncipe da Paz.


Para sempre permanece a Palavra … (Psalmus 119.89)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Cidadão de Papelão - Teatro Mágico





O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, nem voz
Nem terno, nem tampouco ternura
À margem de toda rua, sem identificação, sei não
Um homem de pedra, de pó, de pé no chão
De pé na cova, sem vocação, sem convicção

À margem de toda candura
À margem de toda candura
À margem de toda candura

Um cara, um papo, um sopapo, um papelão
Cria a dor, cria e atura
Cria a dor, cria e atura
Cria a dor, cria e atura

O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, à sós
Nem farda, nem tampouco fartura
Sem papel, sem assinatura
Se reciclando vai, se vai

À margem de toda candura
À margem de toda candura

Homem de pedra, de pó, de pé no chão
Não habita, se habitua
Não habita, se habitua

A Primeira Semana - Teatro Mágico







Antes que o tempo, a Clave
De Fá Do Si La Sois
Antes da noite, uma tarde
Pra cada um de nos
Antes do barco, a chuva
Antes da roda, o frio
Antes do vinho, a uva
E a fruta que não caiu

Fez dessa Terra um cenário
Pras peças que nos pregaram
Fez bico de pena e diário
Pra escrevermos a regra e a exceção

Criou o perdão e o pecado
Criou a dor e o prazer
Criamos o certo e o errado
E o orgulho pra nos esconder
Do que prevalece em nós...

Antes que o tempo, a clave
Sustenidos e bemóis
Antes do inteiro, a metade
Uma outra parte de nós
Antes do vôo, o tombo
um uta pra não chorar
Antes tarde do que nunca, pra nunca mais demorar
Antes do homem o medo
Antes do medo o amor
Antes do amor a dúvida
...
E o que prevalece em nós

Exílios calados quimeras que exalam sós (2x)
E tudo que eu criar pra mim
Vai me abraçar de novo semana que vem

E tudo que eu criar pra mim
Vai me abraçar de novo
Vai me negar também
semana que vem

Antes que o tempo acabe...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Começando o blog!

Comecei este blog por ter visto um blog de uma amiga, onde ela coloca alguns pensamentos e até arrisca textos poéticos... rs.
Pensei em fazer o mesmo. Talvez ninguém leia... Mas, pelo menos, terei meus pensamentos e opiniões registrados!
Enfim. Vivo hoje uma fase de reconstrução de minha identidade. Como pessoa, como profissional, como ser relacional, como filho de Deus...
Este espaço é dedicado a este momento.